JUNHO DE 2013 NÃO ACABOU
- ricardojs7
- 21 de mar. de 2023
- 2 min de leitura

Em junho de 2013 um Brasil revoltado foi as ruas. Inconformado com inúmeras pautas destacando-se a qualidade dos serviços públicos e a corrupção. Paradoxalmente, hoje os problemas são maiores e mais evidentes do que naquela época. Então porque aqueles que foram as ruas em 2013 não o foram ainda novamente? Será que é porque “ninguém” chamou? Consideremos que esta “chamada” pode ser “natural” ou “artificial”.
A “chamada natural” seria em um contexto onde a indignação de uma única pessoa ou grupo ganhasse uma repercussão e se alastrasse.
A “chamada artificial”, seria em um contexto onde vulnerabilidades conhecidas seriam exploradas de forma sistemática para cumprir uma agenda.
Independentemente do tipo de chamada (call to action) ou evento motivador original, em junho de 2013, a manifestação de um único grupo (Movimento Passe Livre) chamou a atenção especialmente a partir da indignação com a violenta repressão que se seguiu, graças a repercussão que isto teve.
A grande questão é para onde foi o inconformismo e a energia que veio a tona em 2013? A resposta é que não apenas está aí, mas se ampliou, e muito. O que não faltam são vulnerabilidades e motivos para tudo isso vir a tona. Talvez falte apenas uma faísca.
Antes de um terremoto, sempre há um enorme acúmulo de energia, que acaba sendo liberada na convergência de uma falha tectônica. Talvez a comparação não seja tecnicamente precisa mas é bem ilustrativa, pois existe a energia acumulada e existem as falhas, logo, o terremoto é só uma questão de tempo.
O que pode ser feito então?
Considerando um cenário inercial, onde é apenas uma questão de tempo e confluência de fatores (ou interesses) para que tudo venha a tona, pode-se ter duas linhas de ação distintas porém complementares:
Primeiro: aliviar a pressão conectando a insatisfação a instâncias de participação e engajamento existentes.
Segundo: preparar instâncias para receber e canalizar esta “energia” para algo construtivo em vez de destrutivo, caótico, imprevisível.
Independentemente de teorias e abstrações, das origens e motivações, não ha dúvidas de que junho de 2013 é um processo inconcluso. Dado as condições e evidências atuais, é uma questão de tempo para acontecer uma nova “onda”, novos desdobramentos. Seremos capazes de mitigar os riscos inerentes a este processo ou ainda construir algo positivo a partir deste movimento?

Lembremos que o estopim primordial daquele movimento foi um aumento no custo de vida equivalente a 20 centavos na tarifa de ônibus em São Paulo. Considere-se o quanto o custo de vida aumentou desde então e quantos retrocessos tivemos não apenas na qualidade de vida mas em diversos aspectos. Desta vez, qual seria o estopim capaz de trazer a superfície toda a indignação acumulada?
Uma possível saída: Agenda 2030 / ESG ?

A agenda 2030 da ONU e o movimento ESG podem fornecer o arcabouço para a construção de uma saída para este cenário. Considere-se que está fundamentado nos pilares: Pessoas, Prosperidade; Planeta; Paz e Parcerias, sendo que sua essência é o equilíbrio entre o social, a economia e o meio ambiente.












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